Contrato com o Destino - Parceria com Sarah Summers


Emma Davis e Sebastian Harris têm um contratempo que só um contrato pode resolver. O problema? Eles se odeiam e a proposta inclui casamento.

Depois de uma morte inesperada e um testamento surpreendente, os dois precisam unir forças em uma união de conveniência para levar adiante o negócio da família. Mas o que começou com um acordo pode se tornar amor quando se dá a chance de recomeçar.

Acompanhe o romance de estreia de Sarah Summers em parceria com Katherine York que mostra que perdoar o passado é o primeiro passo para viver um grande amor.

Quer dar uma espiadinha?

Prólogo

Emma

10 anos antes

Existe algo diferente em uma primeira vez.

A primeira vez que tomei um sorvete de menta. A primeira vez que escutei minha banda favorita e agora minha primeira vez em uma festa. 

Completo 17 anos muito em breve e para minha total humilhação, nunca havia ido a uma festa de verdade. Não que as outras pessoas saibam, mas eu sei e isso é humilhante o suficiente. Nos últimos meses, minha vida está sendo recheada de primeiras vezes. 

Minha mãe se casou (não pela primeira vez), mas sim com o primeiro homem que não tentou me agredir ou não se insinuou sexualmente para mim, o que em minha experiência já conta como um grande avanço. Ela conseguiu um peixe grande (palavras dela, sério), dono de uma rede de hotéis no país e que nos levou para morar em uma mansão em Nova York. Eles se conheceram uma noite, enquanto ela trabalhava de recepcionista em um evento de gala no hotel cinco estrelas de Edward, o Harris Palace.

Três meses atrás eles oficializaram a relação, após seis meses de “tórrida paixão”, (palavras dela outra vez, juro). Era a primeira vez que eu entrava em uma casa tão grande, nada comparado aos pequenos apartamentos percorridos nos últimos anos, o que para minha mãe não deixava de ser um mero detalhe. Não havia nada que pudesse fazer os olhos de Madelline Davis cintilarem... Nada além de diamantes. Foi a partir de então que pela primeira vez pude ver as brilhantes pedras no pescoço de minha mãe.

Passei a explorar o mundo dos ricos que minha mãe tanto amava. Madelline estava sempre ocupada demais indo a eventos com Edward e como sempre acontecia quando ela estava investindo em um novo casamento, não havia tempo disponível para mim em sua agenda, a não ser é claro para demonstrar a relação mãe e filha durante os jantares em família ou os passeios de fim de semana junto ao marido. Edward, que por sinal parecia querer me dar mais atenção do que minha própria mãe, sempre que estava em casa tentava se aproximar, de um jeito bom, perguntando se eu estava me divertindo ou então se precisava de ajuda para acompanhar as matérias na nova escola. 

Três semanas atrás resolvi aceitar a ajuda e ele passou umas duas horas e meia tentando me fazer entender álgebra. O homem merecia um prêmio por isso, foi mais paciente que todos os meus professores em todos esses anos. É apenas que, números e eu não costumamos ser muito amigos. 

Desde então, Edward e eu estamos mais amigáveis um com o outro. Todos os dias ele vem me perguntar sobre as tarefas e até sugeriu um tutor particular para tudo que envolvesse cálculos. 

Mamãe parecia não enxergar essa nova aproximação entre eu e o meu novo padrasto, e após passar o dia entre o cabeleireiro, as galerias de arte e o shopping, ela estava mais preocupada em contar as novas compras no closet. 

Três meses de casamento e eu a ouvi pedindo um segundo cartão de crédito na semana passada. Mais alguns meses e Edward provavelmente precisará estudar matemática financeira com mais alguém aqui nessa casa, de verdade.

Eu acho o comportamento da minha mãe um tanto entendível. É a primeira vez que ela alcança o status que sempre quis: Muito dinheiro, zero preocupações. 

Eu tenho outras preocupações, e a de agora é ajeitar a maquiagem em meu rosto. 

Uma festa de verdade, com pessoas da minha idade, música deste século e a chance de saber o que é ter uma vida social. Acompanhar Madelline e Edward a passeios no clube, ou a esporádicos jantares fora de casa não é vida social para alguém da minha idade e só tive esse gostinho do que era se divertir com gente com muito mais dinheiro do que eu sonharia na vida.

A festa será na casa de Naomi, uma garota que encontrei ontem enquanto fazia um tour na minha nova escola. 

Eu estava admirando as longas portas do prédio da biblioteca quando alguém esbarrou algo gelado em minhas costas. Ao me virar, dei de cara com uma garota de pele negra e olhos brilhantes. Ela usava calças rasgadas enquanto sua blusa era recheada de correntes. Tinha uma casquinha na mão, cujo sorvete provavelmente, estava agora em minhas costas. Ela sorriu enquanto falhava miseravelmente em disfarçar o olhar de: “Você com certeza não é daqui”.

― Oi, foi mal. Eu estava distraída. - Ela disse e então me bruscamente e começou a passar um guardanapo em minha blusa como se fosse a coisa mais normal a se fazer. Em sua defesa, ela parecia um pouco constrangida pelo incidente - Qual o seu nome?

― Emma… Ei, pare, está tudo bem! - Eu disse, assustada de ter uma desconhecida me tocando. Ela se separou imediatamente e me encarou com um sorriso largo, mostrando seu lado amigável. “Nova vida, novos amigos”, pensei. Decidida, perguntei de volta: - Qual o seu?

― É Naomi. Olha só, vamos lá ao banheiro porque só com o guardanapo essa mancha não vai dar jeito. 

Sem me deixar responder ela me levou pelo braço ao banheiro. 

Esqueça a parte do constrangimento, Naomi só puxou minha camiseta tentando tirar minha blusa enquanto eu reclamava uma segunda vez.

― Ei, ei. O que você está fazendo? - Perguntei assustada enquanto ela me olhava divertida.

― Vou limpar sua blusa, é mais fácil se você não a estiver vestindo. Nunca esteve em um vestiário antes? 

Eu poderia responder Naomi com as tristes histórias da minha infância/adolescência em que me mudei tantas vezes por conta dos rolos da minha mãe e que não ficava tempo suficiente para ter amigas a ponto de trocarmos de roupa juntas, ou que não cheguei a ter amizades porque eu sempre era a esquisitona da sala, pelos péssimos cortes de cabelo ou as roupas que minha mãe não se lembrava de comprar para mim e terminavam sendo de tamanhos menores.

Mordi o lábio e preferi espantar esse pensamento da minha mente.

― Eu apenas me assustei. Me desculpe… - Suspirei. Não assuste amigos em potencial, murmurei mentalmente como um mantra.

― Você é desse planeta? - Ela perguntou enquanto limpava bem a parte suja da blusa com um pano úmido. 

― O que você quer dizer? - Habilidade social zero, sim eu sei.

― Nada, deixa para lá. - Ela suspirou e continuou em sua tarefa.

Ficamos em silêncio por alguns instantes. Naomi me encarou séria e eu decidi quebrar o gelo com um sorriso. 

― Você não precisava limpar. Está tudo bem, de verdade. - Eu disse.

― Não se preocupe, faço questão. Aluna nova? - Ela disse enquanto me devolvia a blusa.
― Sim. Acabei de fazer minha matrícula. 

― De onde você é?

― Bom, meu último endereço foi New Jersey... - Eu disse, enquanto imaginava o quanto aquilo devia soar ridículo.

― Credo! Agora está explicado. Há quanto chegou aqui?

― Cheguei faz algumas semanas. 

― Eu vou te mostrar o colégio, é um lugar de ricos e esnobes, mas você não parece ser nenhum dos dois, desculpe a franqueza, então considero como um dever cívico deixá-la preparada. - Ela começou a me conduzir para fora do banheiro. - Não se preocupe, a blusa vai secar rapidinho no sol.

Fomos dar uma volta pela escola e fiquei sabendo que ela já estudava ali há dois anos e que morava perto da minha casa, ou da casa de Edward... Estava difícil de me acostumar com isso. Naomi me mostrou algumas salas e acabamos sentadas no jardim. Foi quando ela me convidou para a festa na casa dela no dia seguinte, em homenagem a viagem dos pais. No começo achei que iria ser uma festa de adultos como as que minha mãe e Edward frequentam, mas conforme Naomi foi descrevendo o que ela tinha comprado e como ela roubou algumas vodcas da mãe, entendi que a festa era porque realmente os pais dela estavam viajando e isso era uma excelente coisa. 

Não quis me aprofundar no assunto, mas aparentemente classe social não define se você terá problemas com os pais ou não. E comemorar algumas horas de liberdade parecia uma ideia excelente para Naomi.

Me olhando no espelho pela última vez, me perguntei se o que eu estava vestindo estava bom. Naomi deixou bem especificado que eu deveria me vestir de uma forma que me deixasse mais velha e com algo que definitivamente não tenha sido usado enquanto eu morava em Nova Jersey. 

Aproveitei que Madelline estava em mais um de seus eventos e fui ao quarto dela. Havia um vestido preto entre os primeiros cabides do closet. Era curto e justo, acho que iria servir. Minha mãe e eu somos da mesma altura, mas apesar de ter um quadril mais largo que o meu, acho que o vestido era justo o suficiente para se encaixar em mim. 

Passei o batom vermelho, também presente do closet de Madelline, e me dirigi para fora de casa em meus sapatos novos, sem salto. 

Tudo bem, eu estava me arriscando em fazer coisas novas pela primeira vez em minha vida, mas eu achei os saltos altos da minha mãe uma coisa radical demais para essa noite. Nunca havia calçado um Jimmy Choo antes e o fato deles serem indecentemente caros me deixou ainda mais assustada. Um vestido talvez passasse despercebido pela minha mãe, mas um sapato estragado? Seria o meu fim.

O táxi estava me esperando. Dei o endereço que Naomi havia anotado para mim no dia anterior e tremi por todo o caminho.

Quando cheguei, duas coisas me chamaram a atenção: A quantidade de pessoas e as luzes. A casa de Naomi era tão grande ou maior que a de Edward e mesmo assim eu consegui pensar que havia gente demais para pouco espaço. Os portões estavam abertos e tinha gente dançando e bebendo no jardim que levava ao interior da mansão. 

Assim que subi as escadas da entrada e cheguei ao hall, entendi porque havia tanta gente do lado de fora. Naomi colocou uma fita de segurança, dessas que a polícia usa para isolar o perímetro do crime, em volta de toda a sala assim as pessoas eram obrigadas a se divertirem apenas da grande sala para fora. O que não era impedimento nenhum com um palco enorme montado pelo DJ lá no jardim. 

Não vi nenhum rosto conhecido, até que as trancinhas afro de Naomi entraram em meu campo de visão. Consegui alcançá-la e fui recebida por um entusiasmado abraço. Acho que deveria ser culpa da garrafa nas mãos de minha mais recente amiga, mesmo assim fiquei comovida dela realmente ter gostado de me ver ali. Em seguida Naomi me apresentou para quase todos na sala. Colocou um copo contendo um líquido escuro em minhas mãos e saiu me arrastando para o jardim. 

Foi estranho ser o centro das atenções enquanto recebia tratamento especial da anfitriã da casa. Okay, eu disse “anfitriã” e isso me fez sentir ter 40 anos. Mesmo assim, se Naomi não havia me surpreendido me abordando da forma abrupta do dia anterior, o fato de descobrir que ela é a adolescente mais popular a qual tive contato em toda vida, me deixou bastante chocada. 

Nada me impediu de colocar as mãos para ao alto e dançar junto às pessoas à minha volta. As luzes, o som, a bebida, era o que eu sempre havia visto nos filmes de Hollywood em toda a vida, eu estava fazendo meu debute (outra palavra que me faz sentir ter 40 anos) como uma adolescente comum e normal, era a minha primeira vez tendo a chance de ser eu mesma. 

Algum tempo depois, Naomi me levou para dentro da mansão e me deixou sentada no sofá. Eu havia tomado dois copos de algo que parecia Coca― Cola e vodca, e ela disse que ia me buscar algo para comer porque eu parecia verde. 

Para falar a verdade, eu estava um pouco enjoada, mas não sabia se era por conta da festa ou da bebida que Naomi tinha me oferecido. Ainda sentada no grande sofá, vi um grupo de pessoas se aproximando, conversando animadamente. Fiquei no meu canto, fingindo que mexia no celular quando na verdade só achava aquela normalidade incrível. Alguns minutos depois o pessoal a minha volta se sentou no chão e me vi sendo arrastada e sentada ao redor de um círculo. Não havia nenhum rosto familiar a minha volta. 

Havia uns cinco caras mais ou menos da minha idade e algumas garotas, no máximo dois anos mais velhas do que eu. Havia uma loira em um vestido roxo que com certeza devia estar imitando o aperto da justiça divina, além de estar com um bronzeado bizarro, e, aparentemente, era ela que comandava o jogo. Todo mundo ria e fazia uma piada sobre se trancar em um quarto. Eu não entendi nada. Minha boca estava seca e a falta de familiaridade com o ambiente estava me deixando desconfortável. Olhei para os lados e não vi Naomi em nenhum lugar, ela disse que voltaria e decidi esperar exatamente onde eu estava, até porque tive medo de levantar e ficar tonta. 

No momento seguinte vi a loira rodar uma garrafa no meio do círculo onde estávamos sentados e em seguida vi o objeto parar exatamente na minha direção e de uma ruiva que podia competir com uma maquiagem de panda no Halloween. Todo mundo estava rindo e ouvi a ruiva me perguntar:

― Verdade ou desafio?

Ah não, isso era sério? Se isso seguir o roteiro dos filmes, a pergunta seria embaraçosa o bastante para me fazer sentir mais à vontade no inferno. Eu odeio falar sobre mim mesma com os outros, e sempre há como mentir, mas o problema é que... Eu sou terrível com mentiras. 

― Desafio? - Respondi com a boca ainda mais seca em um tom não muito confiante... Mas afinal... Eu dei uma afirmação... Uma pergunta...?

Vi todos ao meu redor baterem palmas acompanhadas de gritinhos. A loira embalada a vácuo veio em minha direção e me pegou pelos braços. Eu não consegui levantar de primeira porque sim, eu estava certa, levantar iria me deixar tonta. Tive que levantar ficando primeiro de quatro e em seguida ser amparada pela loira. Que cena deve ter sido, eu sempre consigo me superar no quesito humilhação pública. Me vi sendo guiada a um corredor e então a loira abriu uma pequena porta a esquerda. Fui enfiada lá dentro e acabei batendo a cabeça na parede, o lugar era apertado e quente.

Estava escuro e eu não atrevi me mexer. Eu estava tonta o suficiente para considerar aquilo uma crise de labirintite. Era oficial, eu havia conseguido me colocar em uma situação degradante mais uma vez, sem ajuda de terceiros. Eu queria me estapear, de verdade. 

Ouvi barulho do lado de fora e duas pessoas rindo.

― O que você quer que eu faça? - Uma voz masculina - Que brincadeira estúpida! 

― São dois minutos, faz o que você quiser! - Era a voz da loira. 

A porta se abriu e alguém acendeu a luz. Eu não tive tempo de me mexer, um cara entrou e a porta foi fechada novamente. 

Eu não estava preparada quando ele se virou ainda sorrindo e me encarou.

― Então, quem é você? Mais uma patricinha querendo diversão com os caras da faculdade? - Eu o vi suspirar lamentando - Eles só vão abrir essa merda depois de dois minutos. – Ele suspirou mais uma vez -  Não sei como caí nisso!

Enquanto ele olhava para a porta, eu o observava. Aos 16 anos, trancada em um quartinho de baixo de uma escada, tendo o primeiro contato visual íntimo com o sexo oposto na vida, era óbvio que eu não sabia o que fazer. 

Eu estava com a cabeça um pouco baixa e vi suas calças jeans moldando perfeitamente o que parecia ser o maior conjunto de pernas que já vi. Uma camiseta preta que dava contorno a um tronco forte e proporcional ao que... Bom... Se minhas contas, que não são muito boas, estiverem certas, esse cara deve ter cerca de 1,80 no mínimo. Impossível de ele ser menor de idade, eu apostaria dinheiro pesado nisso.

Quando encarei seu rosto, eu preciso dizer que seus dentes foram a primeira coisa a me chamar a atenção. Era um sorriso fatal. Do tipo que ele com certeza reservava para situações especiais... Como essa.  Seus olhos eram de um verde claro, que aparentemente estavam se ajustando a baixa iluminação do local. 

― Gostando do que vê? - Ele disse com um riso malvado me encarando. Eu tinha um busto grande para alguém da minha idade. Sempre fui consciente disso, ao que tudo indica o gigante a minha frente tomou nota disso também. Meu estado de embriaguez não sabia dizer se seu tom de voz era perigoso ou não, e eu precisava sair daqui e de toda essa coisa o mais rápido possível.

Continuei encarando seu rosto e tive a clara sensação de estar olhando uma versão do Henry Cavill em The Tudors, da vida real. Ele tem traços fortes e o cabelo do tipo cortado em máquina, sem fios longos para emaranhar nos dedos. Havia um rastro de barba por fazer, muito suave. Eu tentava captar cada pedaço de seu rosto enquanto ele continuava a sorrir, mas agora um pouco mais reservado.

O que fazer quando o cara mais bonito ao qual já tive contato está comigo em um quartinho mal iluminado? Não deve existir esse item em um manual. Cada vez que ele respira, eu fico consciente dos músculos dele ao meu redor. 

“Haja naturalmente”.

Sim, agir naturalmente... O que é agir naturalmente? 

Madelline costuma dizer que toda vez que ela fala com um cara que ela tem interesse... Se não sabe o que dizer, ela apenas sorri. O quanto ela não deve ter sorrido para Edward, não é mesmo?

Bom, eu não sou louca a ponto de me arriscar a falar alguma coisa aqui. Existe uma grande possibilidade de eu balbuciar, ou começar a cuspir enquanto falo por tamanho nervosismo, eu não posso passar por essa situação mais uma vez em minha vida.

Meu quilo de coragem foi usado devolvendo o sorriso.

Tímido. 

Breve.

E suave.

Sorri e vi seus olhos aquecerem. Foi agora que eu me perdi. Ele me olhou de uma forma que me deixou quente dos pés à cabeça. 

“Sensação nova e viciante no corpo?”

Check.

“Derretimento cerebral?”

Check duas vezes.

― Você não fala nada? - Ele disse e vi sua mão pousar sobre meu ombro.

Eu sorri outra vez e dei de ombros. Ele colocou suas grandes mãos em minha cintura e colou nossos rostos. Ele parecia divertido com tudo aquilo. Eu sentia calor em todo local que sua mão me tocava. Ele cheirava bem, não o típico perfume de garotos do colegial. Era algo penetrante, maduro, quase uma droga, me deixou ainda mais tonta.

― O que você quer? - Ele sussurrou em meu ouvido. - Um beijo? - Ele começou a acariciar levemente meu pescoço com o dedo e eu senti um calafrio percorrer todo o meu corpo. Ele riu ao perceber minha sensação. - Quer algo mais? - Sua voz era dura e rouca em meus ouvidos e eu não fazia ideia do que eu queria. 

― Eu…

― Você precisa crescer primeiro, querida. Não se deixe cair nessas merdas da Alisson, ok? Um dia você pode cair em uma enrascada muito pior do que ficar comigo em um quarto pequeno.

Eu o encarei chocada. Aquilo era uma lição sobre como eu deveria me comportar? Alguma piada com a garota nova?

Eu sempre caia nessas coisas.

Um barulho me chamou a atenção, e a voz de Naomi falando um sonoro “Porra nenhuma que não posso abrir essa porta!” do lado de fora me tira do transe olho― no― olho com meu gigante. 

― Droga, eu sabia que não devia ter deixado você sozinha - Naomi diz puta da vida abrindo a porta bruscamente. Ela empurra o gigante e me puxa para fora do quarto. O ar fresco do corredor me indica o quão alta a temperatura corporal estava debaixo da escada. 
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